Por Maurício Campos Júnior

Advogado consagrado em Minas Gerais e no Brasil, Aristóteles Atheniense ocupou lugar de destaque na Ordem dos Advogados, tendo sido presidente da Seção de Minas Gerais e diretor da entidade no âmbito federal. Fazia parte de uma geração de expoentes da advocacia que não se forjam mais com a mesma frequência e qualidade.

Nesta última sexta feira, Aristóteles Atheniense juntou-se a Ariosvaldo de Campos Pires, Sidney Safe Silveira, Jair Leonardo Lopes, entre outros tantos contemporâneos de advocacia e de lutas políticas na defesa da sociedade e da classe.

Levado pela COVID-19, Aristóteles não pôde ter a despedida calorosa que ele próprio dispensou a tantos de seus amigos, em razão das limitações que as regras de isolamento social impõem neste momento.

Isso é muito curioso e injusto, pois Aristóteles Atheniense tinha uma espécie de culto à despedida muito marcante, motivo pelo qual muito provavelmente imaginou, ao longo da vida, seu próprio sepultamento na presença de numerosos amigos e companheiros de longa jornada. Afinal, não havia velório de amigo que ele não comparecesse.

Nessas ocasiões, instantes antes de o caixão baixar à sepultura, Aristóteles tomava a palavra e, muito concentrado e emocionado, proferia seu discurso de despedida.

A oratória impecável e a potente impostação da voz davam forma ao testemunho de vida que ele sintetizava em conteúdo preciso e ilustrado com passagens importantes sobre a vida do amigo homenageado.

Folclore ou não, dizia-se que há anos Aristóteles preparara sua sepultura, inclusive a lápide, faltando somente a inscrição da data de seu falecimento, tal a relevância que ele dava a esse especial momento.

Lamentavelmente, a COVID-19 privou Aristóteles Atheniense e seus amigos de uma despedida à altura de sua expectativa e merecimento.

Esperemos que a Ordem dos Advogados do Brasil, por iniciativa do presidente, Raimundo Cândido Júnior, realize, tão logo possível, uma justa homenagem ao advogado Aristóteles Atheniense.

Mas que seja uma homenagem ao pé de sua sepultura, provavelmente como ele gostaria que fosse, para que amigos, parentes e colegas de profissão possam finalmente se despedir com os discursos que, sob a ótica de cada testemunho, vão compor o retrato de uma trajetória vitoriosa.

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